Vamos todos cantar de coração


Essa tal paixão não tem jeito, não tem explicação, melhor nem resistir. E ela se apresenta de variadas maneiras. Pode ser a paixão carna ou a desesperada, que leva o indivíduo a cometer loucuras. Pode ser a platônica, expressão criada para definir o amor essencialmente puro, que se fundamenta na virtude e é desprovido de paixões cegas, materiais, efêmeras.

“Enquanto houver um coração infantil, o Vasco será imortal”. Eu tinha uns oito aninhos quando me seduziu essa paixão pelo Vasco da Gama, então Super-Super Campeão. Tempos de Bellini, Capitão e titular absoluto da zaga da seleção brasileira na Copa da Suécia, meu ídolo. Paixão ou fanatismo?

Papai residiu no Rio de 1940 a 42 e simpatizava com o Fluminense, tricolor em branco-verde-vermelho. Ao voltar para Joaçaba ajudou a criar o Atlético, tricolor em branco-azul-vermelho, a paixão da minha família. Meu mano Carlos José torce pelo São Paulo, tricolor em branco-preto-vermelho e também pelo Vasco, à época um dos melhores do Brasil, e me motivou a torcer pelo Vasco, tricolor em preto-branco-vermelho (na Cruz de Malta).

Emoção, júbilo e regozijo com façanhas que nenhum outro Clube testemunhou. Futebol de campo, de salão, de areia, remo, tiro ao alvo, basquete, boxe, vôlei masculino e feminino. Símbolo de luta contra racismo e preconceito, história de pioneirismo e superação, coragem e respeito. Batalhas, triunfos e glórias, com sangue, suor, lágrimas e sorrisos.

Pelé jogou pelo Vasco antes de ser Rei do Futebol. Aos dezesseis anos estreou em um jogo internacional no Maracanã e fez três gols, vestindo o uniforme mais bonito que usaria em sua vida. Foi em 19 de junho de 1957 e exatamente um ano depois marcava seu primeiro gol em Copa do Mundo, naquele 1x0 sobre o País de Gales, pelas quartas de final.

Até a construção do Pacaembu o Estádio do Vasco era o maior do Brasil, palco dos pronunciamentos de Getúlio Vargas, local dos jogos mais importantes da Seleção - antes do Maracanã. O racismo predominante no Fluminense, Botafogo, Flamengo, América e Bangu motivou o Vasco a construí-lo. Com doações da torcida, sem verbas oficiais, São Januário foi inaugurado a 21 de abril de 1927, com a presença do Presidente Washington Luís (o mesmo que dois anos depois nos visitaria e determinaria a construção da Ponte Velha, ligando a Estação Herval a Joaçaba).

A primeira grande seleção brasileira tinha sete vascaínos, titulares absolutos na Copa de 1950: Barbosa, Augusto, Danilo, Alfredo, Maneca, Ademir e Chico. Campeões em potencial após golear México, Suécia e Espanha, acabamos derrotados pelo Uruguai na final, comprovando que nem sempre o melhor vence.

Grandes atletas: Domingos da Guia, Leônidas da Silva, Edmundo, Romário e Roberto Dinamite, o maior artilheiro. Mais de 185 mil associados! Mesmo nas fases ruins ninguém abandona o Vasco, o Clube que tem os melhores torcedores: Erasmo e Roberto Carlos, Martinho da Vila, Paulinho da Viola, Paulo Coelho, Pelé, Renato Aragão e nós!

Por isso vascaíno, cante comigo! Vamos, todos, cantar de coração: “De todos os amores que eu tive, és o mais antigo. O Vasco é minha vida, minha história, o meu primeiro amigo. Quem não te conhece me pergunta por que eu te segui. Eu levo a Cruz de Malta no meu peito desde que eu nasci...”


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