A Indústria 6.0 já é hoje


Nossa mente ainda absorve a Indústria 4.0 e não raro a tem como um despontar da inovação na maioria dos fabricantes. O futuro próximo, entretanto, já prevê outros horizontes. Mudanças colaborativas entre humanos e máquinas nas linhas de produção decorrem de uma evolução dos processos para torná-los mais seguros para as pessoas e instituições. Manufaturas inteligentes já operam no 4.0 em diversas partes do globo com a busca de evitar lesões, ampliar a produtividade e produzir com mais qualidade. A evolução tecnológica ocorre para que a organização se mantenha competitiva e ganhe vantagens diante de seus concorrentes.

No entanto, com o aumento da demanda por produtos personalizados e com a economia dando sinais de crescimento, passou-se a investir na Indústria 5.0, em que o toque humano volta à manufatura. Essa nova onda passa a entender que são os humanos (e não as máquinas) que moldam o futuro da produção. Logo, é necessário trabalhar em conjunto e não relevar à IoT, à IA ou aos sistemas ciberfísicos toda responsabilidade sobre a inovação. Até mesmo Elon Musk, da Tesla, admitiu que a automação excessiva da linha de produção do Modelo 3 foi um erro, o que o levou a twittar que “os seres humanos são subestimados”. A proposta em curso com a Indústria 5.0 é deixar o trabalho mecânico e repetitivo com as máquinas e o lado criativo para os humanos.

Diante desse cenário, o impacto imediato é de incerteza e imprevisibilidade para o planejamento das carreiras, pois poderemos trabalhar em funções que não existiam quando prestamos vestibular ou que nem sonhávamos há alguns anos. Mas sempre haverá espaço aberto para aqueles que explorarem seus fatores humanos, tais como a ética. A Indústria 6.0 coloca a tecnologia inteligente em confronto com os humanos ao procurar a proteção das pessoas diante do avanço desses sistemas. Quanto custa aos humanos a alta velocidade e as habilidades de pensamento da tecnologia? Estamos protegidos de verdade?

Não se trata da criação de um robô que volta no tempo para matar a Sarah Connor. O assunto gira em torno de humanos com cérebro, valores e uma visão humana de mundo capaz de considerar primeiro os anseios da população e depois a tecnologia em si ou o resultado financeiro gerado para os acionistas. Gira em torno da privacidade em um mundo em que tecnologias espalham dados e informações dos usuários sem que haja um controle rigoroso ou até que  o próprio usuário tenha conhecimento do tipo de informação que cada instituição, empresa ou aplicativo tem acesso. Será ela a revolução que estamos esperando?


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