Um lugar de acolhimento - Associação Maria Rosa – AMAR


Ela tinha 15 quando liderou uma causa em busca do bem-viver. Era jovem quando se lançou na briga e continuou eternamente jovem quando foi eternizada nas artes e na memória. Maria Rosa, a Joana d’Arc do sertão do Contestado, é exemplo para quem foge da opressão e exemplo para as mulheres que buscam uma vida melhor. Em Caçador, seu nome é exemplo de um novo começo. 

 

Há quase 30 anos, as integrantes do Movimento de Mulheres Urbanas, que promoviam palestras nas comunidades carentes de Caçador sobre saúde, sexualidade, busca de auxílio, entre outros temas, se dedicaram a uma nova necessidade: ajudar mulheres vítimas de violência doméstica e seus filhos. Para atingir este objetivo, iniciaram um abaixo assinado em parceria com outras entidades para solicitar a implantação da Delegacia da Mulher no município, uma vitória conquistada em 28 de março de 1995, depois de 7 mil assinaturas. Mas não parou por aí.

 

Instigadas por Lúcia Stefanovich, representante da Secretaria de Segurança Pública do Estado, o grupo passou a buscar informações para instalar uma Casa Abrigo, para fornecer apoio às mulheres. Crada de forma totalmente voluntária, a casa teve início em um apartamento alugado, mobilhado com doações das próprias voluntárias, que também se encarregavam do preparo das refeições. Na época, movimentaram-se também para criar uma entidade para angariar recursos para manutenção do abrigo. Em 6 de agosto de 2000 nascia a Associação Maria Rosa – AMAR, nome sugerido por Iris Zeni, voluntária e integrante do grupo, em homenagem à guerreira Maria Rosa, reconhecida na Guerra do Contestado.

 

Curta-metragens produzidos pelos alunos do Ensino Médio da EEB Dr. joão Santo Damo em parceria com a Associação Maria Rosa no Projeto AMAR sem violência, sob orientação da professora Nelci Pereira Metz.

 

A violência contra a mulher é um tema delicado, logo, as voluntárias viram diversas portas se fecharem diante de si ao longo dos anos de batalha contra as dificuldades. Mas dificuldade alguma foi maior do que o sonho de construir uma sede própria, com espaços adequados para ampliar e permitir um melhor atendimento, com mais qualidade às usuárias e seus filhos. Para tanto, a Associação se mobilizou de várias formas para arrecadar fundos: bingos, eventos, almoços, bazares, ações entre amigos, pedágios, entre outros, tiveram sua grande valia na reunião do recurso necessário para a construção e também para cobrir despesas sobre recursos repassados pelos convênios.

 

Enquanto o sonho não se realizava, o número de voluntárias crescia e além do serviço de acolhimento passou a desenvolver outros projetos como: Projeto Psiquê (atendimento psicológico realizado com acolhidos), Projeto Extremosa (Atendimento psicológico para pessoas/famílias que não necessitam de acolhimento), Projeto Arco íris (Atendimento pedagógico e de artesanato) e o mais recente e de grande sucesso o Projeto Amar Sem Violência (Projeto educativo de combate a violência), que teve grande visibilidade. Assim também se fortaleceram as relações de confiança entre a Associação, o Município e a população. Uma prova desse amadurecimento pode ser vista em 2018 quando um novo serviço foi absorvido pela entidade. Em parceria com a Prefeitura, a AMAR passou a administrar a Casa Lar São José, uma casa de acolhimento de idosos e pessoas com deficiência.

 

Uma nova parceria em 2019 veio não apenas coroar o bom trabalho, mas ajudar a AMAR a atingir um novo patamar. Em parceria com empresas da cidade, as voluntárias viveriam um dos momentos mais emocionantes das suas vidas com a inauguração da tão sonhada sede própria em 6 de dezembro de 2019. O projeto, cuja responsabilidade pela execução coube à Guararapes Painéis, tendo como parceira e mobilizadora de recursos a empresa Fortt Empreendimentos, teve um investimento total de mais de R$ 550.000. Atualmente, a AMAR conta com um novo espaço para atender as mulheres e é reconhecida como Utilidade Pública Municipal e Estadual, além de possuir a Certificação de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS).

 

Mantida a partir do Fundo Municipal de Assistência Social, a AMAR também reúne fundos a partir de editais e de eventos promovidos pela entidade. A partir desses recursos foi possível ampliar a oferta de serviços e adquirir e manter dois veículos, sendo um para a Casa Abrigo Maria Rosa e outro, adaptado, para uso na Casa Lar São José. Atualmente, o acolhimento na Casa Abrigo é prioritariamente destinado à população de Caçador. Já na Casa Lar São José, há exclusividade aos moradores do município. 

 

ATENDIMENTOS NA PANDEMIA

 

O número de acolhimentos na Casa Abrigo Maria Rosa reduziu durante a pandemia. Isso não significa que a violência tenha diminuído, mas que caiu a quantidade de denúncias. Assim como a Polícia Militar, os Estados e Municípios têm feito campanhas de divulgação dos canais de denúncia, a Associação tem trabalhado com o projeto “AMAR sem violência” em seus canais digitais.

 

Os serviços de acolhimento funcionam 24 horas e não tiveram qualquer pausa durante a pandemia. Entretanto, cientes de que parte do público atendido apresenta alto risco em caso de contaminação pela COVID-19, os cuidados diários foram reforçados para preservar a saúde dos idosos da Casa Lar São José. Para evitar a contaminação entre acolhidos, funcionários e familiares, todas as pessoas seguem as medidas sanitárias e usam os EPIs.

 

Centro para atendimento ao idoso

 

A Casa Lar São José projeta novidades para os próximos anos. Diante do espaço e quantidade de vagas pequenos para atender a demanda do município, a Associação pleiteou diversas vezes que ocorressem algumas mudanças. No último mês de agosto, porém, foi agraciada com o lançamento de um grande projeto municipal para a construção de um Centro para Atendimento ao Idoso, organizado como serviço de acolhimento de longa permanência e serviço de centro dia.

 

As novidades da AMAR 

 

·Projeto de Atendimento ao Agressor: trabalha a socioeducação e atendimento psicológico, através atendimentos individuais e em grupo com a conscientização para a quebra do ciclo da violência e demais assuntos.

·Projetos de profissionalização para mulheres vítimas de violência. 

·PRO AMAR: Projeto de Prevenção a Violência Intrafamiliar com diversos públicos. 

·Promoção de eventos culturais. 

 


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