Moda ou proteção? Tudo sobre as máscaras


No início não nos importamos muito com a beleza. Precisávamos usar máscaras para evitar a contaminação. Era apenas uma questão de tempo até que as customizações começassem e agora a máscara já é praticamente uma peça de roupa como qualquer outra: indispensável como um par de calças ou como um tubinho preto. Mas há uma boa distância entre a moda e a prevenção, e o uso correto das máscaras não pode ser prejudicado pelas tendências.

 

OVMA (MTV Video Music Awards) 2020 não teve tapete vermelho. Para evitar o aglomero de pessoas e fornecer mais segurança para jornalistas, fotógrafos, cinegrafistas e celebridades, o tradicional red carpet foi eliminado. Isso não significou, porém, a ausência de looks icônicos. Já que falamos de celebridades da música, não poderíamos esperar menos. Já tivemos Madonna vestida de noiva na performance de Like a Virgin em 1984, Britney Spears e Justin Timberlake combinando com o look todo em jeans em 2001, Britney também dançando com uma cobra píton, Miley Cyrus praticamente nua em 2015 e Lady Gaga com seu vestido de carne em 2010. Poderíamos esperar algo diferente em 2020?

 

Com a pandemia, seria natural imaginar que as máscaras teriam muito mais estilo e passariam a compor os looks. Entretanto, a segurança parece ter ficado de lado. Lady Gaga, por exemplo, ousou com máscaras irreverentes, cheias de acessórios para acompanhar. Mas enquanto a cantora lança seu novo álbum e volta à música pop, equipes médicas do mundo inteiro sustentam o alerta para que as máscaras sejam mais simples para garantir a higienização correta.

 

A culpa não é apenas da cantora. Uma rápida busca na internet pode conduzir consumidores para máscaras de todos os modelos, com diferentes camadas de tecido e inúmeros acabamentos. Nas redes sociais também não falta criatividade para customizar e usar o acessório obrigatório de um jeito diferente e mais alinhado à moda. Mas existe um risco. De acordo com Dr. Bruno Vitiritti Zanardo, médico infectologista do Hospital Salvatoriano Divino Salvador, as máscaras devem ser vistas como um item de segurança e não de beleza. “Adereços podem prejudicar a higienização do material, dificultar a lavagem ou a secagem, além de proporcionar uma maior superfície de contato para o vírus. Devemos lembrar que a máscara é usada para diminuir a transmissibilidade do vírus ou seja, carga viral exposta. Por isso, deve ser feita com materiais específicos, que impedem ao máximo a passagem dos vírus”, explica.

 

Durante o mês de abril, os professores do Centro de Ciências Biológicas da UFSC elaboraram um guia para que a população pudesse fabricar suas próprias máscaras faciais. O guia partiu de uma pesquisa sobre os diferentes tipos de materiais e máscaras disponíveis no mercado, cujos resultados podem ser vistos em vídeo, e conclui com uma sugestão de forma de fabricação de máscaras que mantém a simplicidade e não apresenta falhas. O manual pode ser encontrado no site da instituição, com o passo a passo de fabricação.

 

Em agosto, um novo estudo realizado pelos pesquisadores da Universidade Duke (EUA) analisou 14 tipos diferentes de máscaras para avaliar sua eficácia na proteção contra o coronavírus. Como resultado, afirmam que a máscara N95 ou PFF2 é a mais segura, seguida pela máscara cirúrgica descartável (2ª), pelas máscaras de polipropileno e algodão (3ª), máscaras de polipropileno de amarrar com duas camadas de material sintético (4ª) e depois pelas máscaras de algodão de amarrar (5ª).

 

Segundo o estudo, as máscaras de algodão tiveram desempenho similar, variando apenas em função do quão alto a pessoa fala e ao ajuste da máscara no rosto. “É importante frisar que a eficácia da máscara se relaciona muito com o material e o ajuste. A máscara confeccionada a partir de uma camisa velha, por exemplo, será menos eficaz do que as criadas com tecido novo. Ela não pode ficar frouxa ou apresentar vãos nas laterais, não pode deixar o queixo exposto e nem mesmo o nariz descoberto. Também não pode cobrir somente as narinas. A máscara ideal é aquela que não deixa vãos laterais e cobre o nariz inteiro e o queixo”, explica o médico.

 

Manipulação e adereços

 

Quantas pessoas você já viu com a máscara puxada para o queixo? Talvez você mesmo já tenha feito isso para tomar um copo de água, falar ao celular ou somente sentir a brisa no rosto de novo. Essa é uma forma errada de agir com a máscara, pois o pescoço ou a roupa podem estar contaminados. A melhor forma de agir caso precise tirar por alguns instantes, segundo Dr. Bruno, é deixa-la pendurada em uma das orelhas na lateral do rosto. “Não se pode ajustar a máscara tocando no tecido sem lavar as mãos primeiro. O ideal mesmo é ajustar pegando somente nos elásticos. Além disso, uma máscara do tamanho correto exige menos ajustes do que se imagina”, diz.

 

Um dos sinais claros de que o tamanho é inadequado ou que a máscara não está bem ajeitada é quando ela embaça os óculos. Para Daivana L.Kunz, enfermeira do Hospital Salvatoriano Divino Salvador, as lentes embaçadas significam que há muito ar escapando pela parte superior da máscara. Isso pode aumentar o impulso de tocar nos olhos ou no rosto com mais frequência, prejudicando a prevenção. “O ideal é ter a máscara do tamanho certo para o seu rosto. O Ministério da Saúde recomenda um tamanho padrão de 21x34 cm para adultos. Para as crianças, o melhor é medir o rosto na altura do nariz e no queixo. Não é errado testar diferentes modelos até encontrar aquele que melhor se adapta ao seu rosto, mas também é preciso atenção às costuras”, salienta.

 

Modelos com costura frontal tendem a abrir com mais facilidade e podem permitir a entrada de vírus através da junção. “O mesmo vale para bordados. Eles danificam o tecido e criam pequenas fissuras para permitir a passagem da linha para criar o desenho. O vírus pode entrar por ali! Outras são adornadas com pedrarias, lantejoulas, correntes, entre outros, que além de criar esses pequenos furinhos também dificultam a higienização. Modelos como estes geralmente são mais caros e tem a eficácia comprometida”, esclarece a enfermeira.

 

Para não correr o risco de errar, a informação sempre é a melhor aliada. O uso da máscara é recomendado para que o usuário não transmita o vírus para as pessoas ao redor, mas não substitui o distanciamento social, a higienização correta das mãos e outras medidas protetivas. Daivana orienta que a máscara seja trocada em períodos de duas a três horas ou quando estiver úmida, já que o tecido úmido perde a capacidade de inibir agentes infecciosos. “Existem várias maneiras de ficar bem e bonito com a máscara, afinal, nada é mais lindo do que uma pessoa saudável que se preocupa em cuidar dos outros”, conclui.

 

Enquanto a pandemia não passa, você pode se conectar com a moda usando máscaras com tecidos de estampas variadas. Para higienizar corretamente deixe a máscara imersa em um recipiente com água potável e água sanitária (a proporção recomendada é de 10 ml de água sanitária para 500 ml de água) por 30 minutos e depois lave usando água e sabão. Enxague em água corrente, deixe secar bem e depois passe com o ferro quente. Vale a pena guardar em um saco plástico limpo até o próximo uso. 


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