Criança tem enxaqueca?


A resposta é sim. Há algum tempo se tem defendido a hipótese de que essa não é uma doença exclusiva para os adultos e nem pode ser tratada apenas como um início de virose. Na realidade, nem tudo é virose na vida de uma criança e a dor de cabeça crônica (que já nem se chama mais enxaqueca, mas é a forma como se conhece popularmente), pode ser um indicativo de outras doenças ou a responsável pela sua sensação de mal-estar.

Atualmente, os médicos preferem chamá-la de migrânea, mas já peço licença aos doutores para continuar a usar o termo popular. A enxaqueca é um quadro de dor crônica, incapacitante, geralmente acompanhada por outros sintomas como náuseas, vômitos, sensibilidade à luz e ao som. Ela é a terceira doença mais comum do mundo, atingindo 15% da população, especialmente as mulheres entre 35 e 40 anos. Especula-se que cerca de 10% das crianças brasileiras entre 5 e 12 anos já conviva com ela, mas com uma variação de gênero: nos pequenos é mais comum nos meninos.

As causas, por sua vez, são muito semelhantes aos adultos. Elas podem desenvolver enxaqueca depois de serem submetidas a altas cargas de estresse, por exemplo, mas aproximadamente 70% das diagnosticadas sofrem influência da genética com parentes próximos como pais ou irmãos que sofrem da doença. Mas se a maioria dos adultos não diagnostica corretamente e segue tratando a enxaqueca como uma dor de cabeça comum, resolvida com automedicação com analgésicos de venda livre, como diagnosticar adequadamente nas crianças?

Dor de cabeça em crianças

Inicialmente, vale a pena lembrar que nem toda dor de cabeça é enxaqueca e que 85% delas terá dor de cabeça ao menos uma vez na vida entre os 5 e os 12 anos. Mas as causas podem ser tão variadas que qualquer análise precisa levar em consideração múltiplos fatores, tais como a alimentação, o sono, a capacidade visual, etc. 

Algumas apresentam dor de cabeça ao ficar longos intervalos sem se alimentar, pois o nível de açúcar no sangue cai. Nesse caso, basta oferecer algum alimento a cada três horas. Outra sentirão dor quando dormem pouco, causada pela fadiga cerebral. Há aquelas que reclamam de dor de cabeça depois de fazer atividades físicas intensas ou em dias muito quentes, e nesse caso a hidratação e descanso na sombra resolvem. Já há aquelas que sofrem de dores de cabeça tensionais, causadas por tensão, ao serem expostas a alguma situação de estresse. E também há aquelas que reclamam de dor de cabeça com frequência, fruto de algum problema visual ainda não diagnosticado. 

Causas da enxaqueca

Prestar atenção ao histórico familiar é sempre importante, mas alguns hábitos podem causar ou até mesmo fortalecer o risco de desenvolver as enxaquecas. Elas tendem a ser mais comuns em crianças que:

- Dormem tarde;
- Pulam muito;
- São ansiosas e agitadas;
- Passam muito tempo sem comer;
- Se alimentam com muitos alimentos enlatados, embutidos, frutas ácidas ou alimentos à base de glutamato (como comida chinesa pré-pronta).

Crianças com TDAH tem até 3 vezes mais chances de ter enxaqueca, mas a medicação pode ajudar a controlá-la. O mesmo vale para aquelas que fazem uso de ansiolíticos, sempre receitados pelo médico.

Sintomas

Diferente dos adultos, a enxaqueca nas crianças tem crises mais curtas, com duração de até duas horas, e menos frequentes. Elas podem acontecer mensalmente ou com intervalos de meses. Eles podem começar nos primeiros 5 ou 6 anos, mas também pode ser mais tarde, por volta dos 8 ou 9 anos.

Mas será que não é manha? Quem convive com a criança, sejam os pais ou cuidadores, pode facilmente identificar quando os sintomas são reais e quando se trata apenas de uma traquinagem infantil, normalmente em busca de alguma recompensa. Via de regra, a criança que sofre de enxaqueca apresenta?

- Dor latejante;
- Palidez;
- Prostração;
- Irritação com luz ou barulhos excessivos;
- Náusea;
- Falta de apetite;
-Dor na barriga;
- Mudança de humor repentina.

Segundo a Sociedade Internacional de Cefaleia, deve-se prestar atenção também quando o incômodo surge mais em um dos lados da cabeça, com intensidade moderada a forte, se é latejante (pulsátil), se acompanha enjoo ou vômito e se piora com exercícios físicos. Além disso, um sinal de alerta deve ser acionado quando a criança preferir ficar em locais escuros (como o quarto), parecer deprimida ou mais irritada do que o habitual.

O que fazer?

O diagnóstico ocorre através da anamnese, um exame subjetivo como uma entrevista que o profissional realiza com o doente, e vai pautar especialmente os hábitos e a rotina da criança. A análise da rotina, da alimentação e do estado emocional do paciente é tão importante quanto regularizar suas horas de sono. Assim, a criança conseguirá voltar a ter uma vida completamente normal, sem prejuízos escolares e, mais importante, sem dor. 

 


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