Como reduzir a dependência do açúcar


Muitas pessoas tentam abandonar a substância e, algumas vezes, mesmo com a ajuda de profissionais, não conseguem. O açúcar faz parte da vida do brasileiro, como uma herança cultural que nos acompanha. Nossas sobremesas não estão completas sem que tenham uma boa quantidade de leite condensado. Mas por quê? Explicamos a razão da dependência e apresentamos algumas dicas para quem deseja reduzir o consumo.

Já sabemos que o paladar do brasileiro é voltado para os doces. Segundo o Ministério da Saúde, consumimos, em média, 80 gramas de açúcar por dia, três vezes mais que a quantidade recomendada pela OMS (Organização Mundial de Saúde) de 25 gramas por dia. Muitas pessoas acham que não entram nessa estatística, já que só adoçam o cafézinho, mas a substância se camufla em ingredientes de ultraprocessados que nem imaginamos que contêm açúcar. É o caso das massas, molhos e até pães industrializados. Não temos consciência do consumo exagerado porque não sabemos o que estamos consumindo.

Existe uma proposta da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para mudar os rótulos dos alimentos e exibir, de forma clara e direta, nas embalagens quando o alimento tem alto teor de açúcar. Contudo, a ABIA (Associação Brasileira da Indústria dos Alimentos) é contra.

Além da dificuldade em identificar o açúcar nas embalagens também existe a questão emocional. Já é sabido que a substância ativa um “centro de recompensa” no cérebro, provocando um estado de satisfação, bem estar e euforia instantâneos. Com uma rotina estressante, é comum ter essa “recompensa” diária, como válvula de escape e, mesmo que inconscientemente, a busca por esse prazer imediato fica cada vez mais frequente. Ao consumir alimentos ricos em açúcar, o organismo libera mais insulina para estabilizar o índice glicêmico, isso gera uma queda rápida no nível de açúcar no sangue, muitas vezes causando fraqueza, tontura, mal estar e um desejo maior por açúcar. E assim começa um ciclo vicioso.

Doenças cardiovasculares e a diabetes são apenas algumas das consequências do exagero da substância que também tem efeitos nocivos pouco conhecidos como propiciar o aparecimento de linhas de expressão e tirar a luminosidade e hidratação da pele.

A seguir, separamos algumas dicas se você deseja maneirar o consumo do açúcar. 

Leia o rótulo

leia o rotulo

A tarefa é mais complicada do que parece pois, hoje em dia, uma mesma substância pode ter cinquenta denominações diferentes. Rótulos também mentem. Quando falamos em açúcares também falamos em glicose, frutose, sacarose, lactose. Muitas vezes produtos que têm rótulos com letras garrafais “sem açúcar”, são ricos nesses ingredientes.

Molhos de tomate, por exemplo, podem não conter açúcar mas, têm frutose. Outros nomes possíveis são açúcar mascavo, cana de açúcar, frutose cristalina, xarope de milho, xarope de milho rico em frutose, xarope de malte, maltodextrina, mel, suco de cana evaporado, melaço, néctar de agave, xarope de bordo e outros.

Aprenda a ler os rótulos dos produtos com atenção e desconfie de ingredientes que terminam em “ose”. E siga também a regra de ouro: os ingredientes são enumerados de acordo com a proporção, portanto, se o primeiro ingrediente de um rótulo for açúcar, isso significa que mais da metade do que você vai levar para casa é composto por açúcar.

Diferencie os doces

Nem todo açúcar é igual. A substância pode ser encontrada em frutas, leite e até nos vegetais, e nesse caso é saudável, faz parte das vitaminas e fibras desses alimentos.

Apesar desse açúcar ser idêntico aos que são adicionados quimicamente, existe a diferença da matriz alimentar, que define o potencial saudável dos alimentos, levando em conta a saciedade e a disponibilidade de nutrientes.

O nosso organismo não absorve uma barra de chocolate com 500 calorias vazias, da mesma forma que absorve uma salada de frutas, por exemplo. O açúcar que devemos tentar eliminar é aquele adicionado por fabricantes, cozinheiros e por nós mesmos. 

alimentos

Coma de forma mais saudável

Evitar ultraprocessados e “educar” o paladar é a chave de ouro para esse passo. Quando substituímos ultraprocessados por alimentos mais frescos, temos mais saciedade.

Coma alimentos mais frescos e preste atenção nos ingredientes dos rótulos. Se o consumo for feito com parcimônia, nada é proibido.

Mude devagar

Quem já tentou cortar a substância sabe que os primeiros dias são difíceis e os efeitos da falta de açúcar no organismo são sentidos de forma muito rápida, por isso, a dica extra é fazer essa redução de forma lenta e gradual. E os benefícios desse corte são inúmeros, desde a regulação do apetite, redução da ansiedade e a melhora do paladar. Não esqueça de consultar um profissional para te acompanhar nessa jornada, principalmente se você percebe que está comendo esses alimentos por motivos além da fome.

 

Thays Eloi
thais.eloy@gmail.com

 


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