Principais cuidados com cães idosos


Eles são nossos companheiros mais fiéis durante toda a vida. Mas, também para eles, a idade chega e não perdoa. Se aquele cãozinho serelepe agora parece gostar mais de uma boa soneca do que de longas caminhadas ou se subir no sofá deixou de ser uma tarefa fácil, você já sabe: é a terceira idade que chegou para o seu cão. No entanto, com alguns cuidados especiais, é possível aproveitar bastante essa nova fase do seu melhor amigo.

Quando iam passear, Auy, um Yorkshire cheio de estilo, e Ivan Antonio da Silva, seu tutor,chegavam a caminhar 3km. Até que, um dia, Auy começou a cansar no meio do caminho e só voltava para casa no colo. Nesta fase, o pequeno, que chegou à casa de Ivan com apenas três meses, já estava com nove anos. Mas foram os sinais de fraqueza e a falta de apetite que o levaram a veterinária, Dra. Ana Leonor Hoeller, onde ele foi diagnosticado com diabetes e pancreatite. Pouco depois, o problema se agravou. Ivan começou a notar que Auy batia nos móveis e não conseguia mais subir escadas. Infelizmente, a diabetes levou o cãozinho à cegueira. auy

Porém, com alguns cuidados especiais, hoje Auy leva uma vida quase normal. Passou a comer uma ração própria para cães diabéticos e toma algumas medicações. Até as caminhadas, ainda que com algumas adaptações, continuam: “Os passeios agora são mais curtos, apenas ao redor de casa, onde ele reconhece o lugar pelo faro”, explica Ivan.

Ver nosso melhor amigo envelhecendo não é fácil. Carlos Eduardo Ambrogini é médico-veterinário há mais de 30 anos e já viu diversos de seus pacientes chegando à terceira idade. Para ele, dar a notícia de que o final se aproxima é o mais triste pois, além de se apegar aos animais, os tutores acabam por se tornar amigos. “Por outro lado, é um privilégio cuidar deles desde filhote até ficarem velhinhos”, diz. auy

Cães de pequeno porte podem ser considerados idosos a partir de nove anos, e os de grande porte a partir de sete anos. Mas isso pode variar de acordo com o estilo de vida do animal. No entanto, independentemente do tamanho, alguns cuidados são comuns para todos. Nesta fase, o mais importante é estar atento para se adequar às novas necessidades do seu cão e curtir seu melhor amigo o máximo possível. Veja abaixo algumas dicas.

Principais cuidados com o cão idoso

alimentoAlimentação

O ideal é ter uma conversa com o veterinário para ver quando é melhor trocar a ração comum pela sênior. Dr. Carlos explica que a mudança deve ser sempre gradativa e ocorre principalmente para garantir que o cão receba os nutrientes corretos para essa nova etapa da sua vida. No caso daqueles que são adeptos da comida natural, pode ser necessário fazer uma suplementação especial e evitar alguns alimentos ricos gordura, por exemplo, já que o cão idoso tem uma tendência maior a se tornar obeso, por causa do metabolismo e da diminuição da atividade física. O tutor também deve estar atento à dentição dos cães. Nessa faixa etária, os dentes ficam mais frágeis e o acúmulo de tártaro pode ser um problema sério na saúde bucal dos animais, provocando a queda dos dentes ou até outras doenças como insuficiência cardíaca, renal e hepática.

Hora do xixi

Se seu amigo não faz xixi dentro de casa, o ideal é aumentar o número de passeios. Isso porque, na terceira idade, muitos cães começam a apresentar problemas na bexiga e não conseguem mais segurar o xixi como antes. No entanto, regular a água para evitar esses escapes de urina pode ser ainda mais prejudicial. “É importante sempre ter água fresca à disposição porque os cães idosos têm tendência a ter problemas renais”, explica dr. Carlos.

auy

Por mais ativo que tenha sido seu cãozinho na juventude, nesta idade, o ideal é diminuir a intensidade da atividade física. Evite exercícios de grande impacto, como o frisbee, pois o salto e a queda subsequente no chão podem machucar as articulações. Porém, ficar completamente parado também não é bom. “Nessa idade, é o cão que nos leva para passear, no ritmo dele”, esclarece o veterinário. Procure fazer caminhadas curtas e em terrenos planos. Caso ele goste de água, atividades aquáticas podem ser excelentes, por não terem nenhum impacto nas articulações. Em último caso, você pode buscar a ajuda de um fisioterapeuta veterinário, que irá criar alguns exercícios próprios para que seu cão permaneça ativo sem prejudicar a saúde dele.

Humor

Parece mentira, mas os cães também podem ficar mais ranzinzas depois de velhos. Por isso, redobre sua atenção quando introduzir seu cão em ambientes com outros cachorros, principalmente se ele não estiver acostumado. Mas, mais do que isso, é importante ficar de olho em comportamentos atípicos do seu cão, como parecer desorientado mesmo em locais que ele conhece ou até esquecer comandos que ele já sabia. Esses sinais podem indicar uma disfunção cognitiva canina, doença do sistema nervoso central que acomete o cérebro dos animais idosos. A alteração na rotina do sono também pode ser um indicador. Porém, vale lembrar que os cães naturalmente dormem mais nessa faixa etária. Por isso, em caso de dúvida, converse com o seu veterinário de confiança.“A dor também pode causar alterações comportamentais, principalmente em casos de osteoartrite ou artrose”, conta dr. Carlos.

Idas ao veterinário

Eles não falam e, por isso, em muitos casos, é difícil identificar quando nosso amigo está com dor. Sendo assim, é importante sempre conversar bastante com um profissional da sua confiança. Segundo dr. Carlos, 50% do diagnóstico é uma boa anamnese. Check-ups periódicos também são importantes. Algumas doenças, quando diagnosticadas em estágio inicial, podem ser tratadas com muito mais eficácia e rapidez. Procure estar atento também a doenças típicas da raça ou do biotipo do seu melhor amigo, no caso de SRDs. Cães de grande porte como o Labrador, por exemplo, costumam sofrer mais de doenças articulares, como a displasia coxofemoral. Já aqueles que tem o focinho mais curto – os chamados braquicefálicos, como o Bulldog – têm uma predisposição maior a ter problemas do trato respiratório. É importante lembrar que, quanto maior o porte, mais rápido é o processo de envelhecimento do cão. Além disso, intervalos que podem parecer curtos para humanos, no caso dos cães podem ser cruciais, pois o tempo passa mais rápido para eles

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Quando correr para o veterinário?

Não demore em buscar ajuda se seu cão:

Estiver tomando muita água e fazendo mais xixi do que o de hábito, ou o contrário (pouca água e pouco xixi)
Apresentar halitose
Tiver nódulos e tumorações pelo corpo
Estiver com dificuldade para andar
Tiver mudanças bruscas de comportamento
Tiver mudança significativa no apetite, esteja ele comendo demais ou de menos

 

Ligia Rabay
li.rabay@gmail.com


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