Rock And Roll, O Filho Bastardo – Parte 2, B.ROCK - Bolinha Antonio Carlos Pereira


O rock’n’roll chegou ao Brasil em outubro de 1955 na voz da cantora de samba-canção, Nora Ney, que gravou em inglês “Rock Around the Clock”, de Bill Haley & His Comets (trilha do filme Sementes da Violência), para a versão brasileira do filme. Em uma semana estava no topo das paradas. 

Em 1957 o cantor de boleros Cauby Peixoto gravou “Rock and Roll em Copacabana”, o primeiro rock escrito em português, composto por Miguel Gustavo, seguido por “Enrolando o Rock”, com Betinho & Seu Conjunto. Carlos Imperial apresentava “Festa de Brotos” e “Clube do Rock” na TV Tupi.Eu estava na infância e minha turminha gostava de ouvir o palhaço Carequinha cantando “O rock do ratinho” e “Fanzoca de rádio”.

Os primeiros ídolos do rock brasileiro surgem no final dos anos 50: Carlos Gonzaga, os irmãos Tony e Celly Campelo, Sergio Murilo.  A década seguinte inicia com grupos de rock instrumental: The Jet Blacks, The Jordans, The Clevers, Os Incríveis; cantores Demétrius, Eduardo Araújo, Jerry Adriani, Albert Pavão e outros, Ronnie Cord, lança dois “hinos”: “Rua Augusta” composta por seu pai Hervé Cordovil e “Biquíni de Bolinha Amarelinha”.

Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Tim Maia e Jorge Ben foram influenciados pelo rock e seu ‘filhote”, o rockabilly. Jorge alcança sucesso mundial, ficando conhecido como criador do samba-rock, subgênero que Erasmo também visitou. Cantando versões: “Splish Splash”, “Calhambeque”, ou na parceria com Erasmo: “Que vá tudo pro inferno”, “Eu sou terrível”, Roberto se torna o maior ídolo do rock brasileiro dos anos 60 e posteriormente, o maior nome da música brasileira. Com o sucesso, a Rede Record escalou Roberto, o “Tremendão” Erasmo e a “Ternurinha” Wanderléa para apresentar o programa Jovem Guarda, com Golden Boys, Renato e seus Blue Caps (a banda de rock reconhecida como a mais antiga ainda em atividade).

Na segunda metade dos anos 60 surgiram Os Mutantes, com seu deboche e o som inovador dos irmãos Sérgio e Arnaldo Baptista, revelando Rita Lee, que depois fez carreira solo e é considerada a rainha do rock brasileiro.Em 1973 aparecem os Secos & Molhados e Raul Seixas inicia carreira solo com “Ouro de Tolo” e músicas debochadas como “Mosca na Sopa” e “Maluco Beleza”, esotéricas como “Eu Nasci Há Dez Mil Anos Atrás” e “Gita”, motivacionais como “Metamorfose Ambulante” e “Tente Outra Vez”. Falecido em 1989, o culto a seu nome cresce a cada ano.

Só na década de 1980 acontece a popularização e a verdadeira “explosão” do rock no Brasil, com as bandas 14 Bis, Blitz, Os Paralamas do Sucesso, Kid Abelha, Biquíni Cavadão, Engenheiros do Hawaii,  Made in Brazil, Magazine & Kid Vinil, Nenhum de Nós, RPM, Titãs, Ultraje a Rigor, Barão Vermelho (de onde despontaria Cazuza). A Capital Federal mostra que também é sinônimo de rock e Brasília revela Capital Inicial, Plebe Rude, Raimundos. E a mais influente de todas, a Legião Urbana, liderada por Renato Russo emplacou inúmeros sucessos. Em pouco tempo, Renato e Cazuza passaram a ser considerados os principais letristas do rock brasileiro. Mesmo mortos, eles estão mais vivos que nunca. O som da Jovem Guarda continua presente na música brasileira. Além das antigas gravações, conhecidas pelos que tivemos o privilégio de viver aquela época, cantores e bandas atuais gravam covers do Roberto e de outros nomes da época.

Rock and Roll will never die...O futuro é incerto, mas apesar dos “intere$$e$” da mídia, apostamos na banda Malta e na cantora baiana Pitty.


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