O medo e as flores


Há alguns dias discutimos sobre a florada das árvores. Falávamos sobre como as árvores florescem mais durante o tempo seco, numa tentativa de se reproduzir mais rapidamente, enquanto ainda há tempo. De alguma forma, a natureza entende seus tempos e não se deixa esmorecer pelas adversidades – ela busca superar os obstáculos para perpetuar a vida.

Nós não conseguimos fazer isso com tanta clareza. O ecossistema empresarial é muito diferente da floresta. Aqui, nesse mundo, as secas e os tsunamis aparecem de forma diferente para empresas diferentes. Nem todas sentem o mesmo impacto, tampouco sobrevivem da mesma forma. Algumas até tentam se equilibrar, fingir que não existem tempos áridos e normalmente são as primeiras a perecer.

Instintivamente, as árvores florescem em períodos de escassez de recursos e o mesmo também deveria acontecer conosco: deveríamos buscar novas alternativas de sobrevivência quando os recursos diminuem. Deveríamos deixar a vergonha de lado, aposentar o medo do fracasso e buscar ajuda para sobreviver. Deveríamos concentrar energia e esforços para tentar criar novas possibilidades, novas fontes de recursos, novas alternativas de sucesso. Mas essa mudança machuca. Temos medo.

O medo de mudar pode nos direcionar à imobilidade ou servir como um combustível para o próximo grande sucesso. A forma, ao contrário do que se pode imaginar em uma olhada rápida, está mais ligada à nossa forma de agir do que a qual geração pertencemos. Não importa a década, no fim do dia, todos queremos a estabilidade de ser quem somos, trabalhar com o que gostamos em um ambiente prazeroso, em um trabalho que tenha sentido e nos permita criar uma relação com a organização, com nossos colegas, com a sociedade e com nós mesmos. Queremos a graça de viver sem medo. É por isso que falamos sobre gestão de mudanças. Sobre essa coisa inevitável que é encarar algo diferente e conseguir visualizar uma melhoria, uma saída em direção às flores do futuro.

Nós estamos no caminho. Vamos juntos?


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