A história do audiobook e porque ele não é tão novo assim


Eu posso não me considerar do tempo que o rádio era o principal meio de informação entre as pessoas, mas sei claramente que, nesse tempo, além das notícias, esse meio de comunicação era também um meio de entretenimento, não só por divulgar as músicas mais ouvidas e mais famosas, mas também, vejam se recordam, das radionovelas. Eu não sou desse tempo, mas quem não conhece?

As radionovelas eram o que podemos chamar de auge do século passado e mexia com o coração dos muitos que as ouviam. As pessoas sentavam na sala, esperando a hora de saber qual o desfecho daquela história tão dramática. Mas porque falar sobre isso, depois de tanto tempo? Porque, com o advento das mídias sociais, as radionovelas voltaram, mas com uma pequena atualização.

radionovela

Neste tempo temos os famosos podcasts, gravações de áudio sobre diversos assuntos, com diversos tipos e formatos, espalhados em diversas plataformas, mas principalmente no Spotify, que não só falam sobre notícias, temas polêmicos, mas também contam histórias. Um pouco de influência das radionovelas? Talvez, mas vamos em frente.

Os podcasts continuam em seu auge, mas funcionam melhor como rádio do que como uma radionovela em si. A radionovela que eu quero falar é sobre o audiobook (audiolivro). Talvez vocês não sejam consumidores do audiobook, mas estou aqui justamente para dizer que talvez você goste disso tanto quanto as pessoas gostavam das histórias de rádio.

O audiolivro tem a mesma proposta da radionovela, são histórias, na sua maioria já existentes em formato físico, faladas, em formato de gravação de áudio. Apenas com algumas diferenças, que a tecnologia avançada do século 21 nos proporcionou. Na radionovela a história tinha horário marcado, mas, assim como os livros que temos nas estantes, podemos ouvir o audiobook na hora que quisermos, virar a noite ouvindo a história, escutar no intervalo do trabalho ou fazendo alguma atividade doméstica. Tem essa vantagem, pois está ao alcance de nossas mãos, em nosso smartphone.

Mas, se é a mesma história do livro, porque ouvir ao invés de ler? Um não anula o outro, assim como a velha discussão de livro físico versus livro digital. Há pessoas que preferem tatear o livro e outras que preferem o conforto de ler livros à noite sem precisar ligar a luz e há quem utilize os dois. Para quem tem uma vida corrida, ouvir parece uma opção mais confortável, então, ao invés de ouvir música, que tal ouvir a história do menino que sobreviveu em seu fone enquanto faz outra atividade? Ou ouvir qualquer outra história. O intuito dos livros é manter a mente preenchida com inúmeras tramas, que não só pode entreter, como também trazer conhecimento.

O conteúdo do audiolivro não é limitado por ser uma gravação, é apenas um formato novo da mesma história de sempre e pode ser encontrado em diversas plataformas, assim como os outros formatos de leitura. Hoje temos diversas opções como o Storytel, Toca Livros e Ubook. Destaco aqui o Toca Livros, principalmente para ouvir com crianças, pois possuem opções de histórias infantojuvenis da nossa literatura, dentre outras opções, gratuitas. As plataformas de audiobook, em sua maioria, funcionam como assinatura e você tem acesso a todos os livros por um valor mensal. É uma biblioteca virtual para todos os tipos de ouvintes.

Apesar de ainda muito novo no mundo dos leitores, esse formato é uma opção muito bem aproveitável também para aqueles que querem aprender um novo idioma e precisam treinar o ouvir. No Storytel, por exemplo, há a categoria “Aprender Idiomas” que contam não só com livros voltados para o ensino, como também apresenta livros em seu idioma original. Isso só reforça o quanto pode ser explorado nessa nova opção.

Ou seja, o velho retorna no novo. Se no passado tivemos a chance de ouvir radionovelas, por que não ouvir audiobooks? Abrimos nossa mente para diversas novas tecnologias, principalmente no meio literário, e temos sim espaço para esse novo formato. Afinal, quem nunca passou horas ouvindo áudios no whatsapp que atire a primeira pedra, não é mesmo? Livros são histórias. Independente de como são contadas, muitas das que conhecemos vieram da voz e não do papel. Então, que tal ouvir uma história hoje?

 

Mikaela Silva de Oliveira


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