Com recheio, com afeto


Se você morou em Videira nos últimos 30 anos, certamente já comeu algum dos bolos feitos pela Dona Íris Schafer De Martini. E se não foi um bolo, pode ter sido um salgadinho de festa, uma cuca ou um pão. Mesmo que as comemorações fossem diferentes no passado, com outras tendências, a maciez da massa e o sabor dos recheios agradou. Se agora as tendências de decoração e de sabores são outros, é na experiência que mora a sabedoria para continuar aprendendo.

O final dos anos 80 foi um período importante para Dona Íris. "Sempre fui eu quem organizava os aniversários na minha família. Eu cozinhava para casa e quando tinha festa fazia o bolo e os salgados. Minhas amigas gostavam e começaram a me incentivar a fazer para vender", lembra. Com o apoio das amigas e da família, Dona Íris descobriria que o primeiro passo para fazer um negócio dar certo é ter quem acredite nele. 

"No início tive poucas encomendas, mas ao poucos foi aumentando até que, quando percebi, cresceu bastante", conta. Iris e bolo

Com pouca concorrência profissionalizada, Dona Íris costumava atender àquele segmento de donas de casa que até sabia fazer, mas não tinha tanta habilidade técnica adquirida com os anos de trabalho. "Hoje tem mais concorrência, mas tem lugar para todos", aponta. Em seu portfólio de produtos estão bolos, salgados, bolachas, cucas, pães e minibolos de acordo com o que a imaginação da clientela sugerir. "Uma coisa boa de trabalhar nesse ramo é que sempre temos que aprender alguma coisa nova. A cada dia tem alguma coisa mudando. Veja: pasta americana não se usava nunca, depois começou a se usar só em bolos de casamento, agora se usa sempre na decoração", conta Dona Íris. bolo pasta americana

Questionada sobre as dificuldades da profissão, ela lembra que o primeiro bolo que decorou com pasta americana foi bastante difícil. "Demorou muitas horas pra ficar pronto, porque eu não tinha prática mesmo. Com o passar do tempo foi ficando mais fácil e acho que é assim com um monte de coisas na vida e não apenas na cozinha: você treina, pratica, tenta, tenta de novo e quando percebe já está fazendo tudo sem sofrer nada", explica. 

Conforme a cidade foi crescendo e a demanda por eventos aumentou, Dona Íris viu seu negócio progredir ainda mais. E mesmo que os momentos de crise financeira venham e vão, é a prática e a tradição que determinam quem continuará no mercado e quem deixará de atuar.
"Quando eu comecei não tinha tanta gente assim. As pessoas faziam mais em casa e compravam em situações especiais. Hoje em dia você pode comprar um bolo ou um pão caseiro pelo celular, com um botão do Facebook, mas ao mesmo tempo temos mais pessoas dispostas a comprar. Não precisa mais ter um aniversário para justificar levar um bolo pra casa. Não precisa mais ser Natal para comprar um pacotinho de bolachas caseiras. Então eu acho que todo mundo tem espaço para trabalhar e aprender", divide Dona Íris. bolo pasta americana casamento

E de aprendizado, Dona Íris entende. Recém-formada na Universidade da Terceira Idade, Dona Íris não tem planos para desacelerar. "Meus planos são continuar trabalhando nesse mesmo ramo, digamos até quando Deus quiser", conclui. Universidade da terceira idade

 


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