Canecas, hambúrgueres e estratégias de crescimento


Como continuar a ter receita quando o seu negócio não tem previsão de abrir? Essa dúvida abalou o sono de muitos profissionais desde que a pandemia chegou ao Brasil. Não foram poucos empreendedores do setor de serviços que precisaram rever seu modelo de negócios e adaptar suas estratégias para atender de outras formas. Algumas, porém, precisaram pensar ainda mais fora da caixa. Os cases do Rio Grande do Norte podem inspirar empreendedores de todas as regiões do país.

Oimpacto econômico gerado pela pandemia do novo coronavírus tem afetado as diferentes regiões do Brasil. O fechamento de empresas e o crescimento do desemprego preocupam especialistas e os trabalhadores nadam em meio a esse mar turbulento para tentar sobreviver. Mas há quem consiga se reinventar e empreender durante o período, para arcar com as despesas de casa.

No Rio Grande do Norte, tatuadores têm buscado novas formas de conseguir dinheiro. Com os estúdios fechados desde março, por causa do decreto estadual de isolamento social, alguns deles resolveram se dedicar à gastronomia e também à produção de canecas e quadros personalizados para conseguir pagar as contas. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Rio Grande do Norte tem registrado quedas mês a mês no volume do setor de serviço, reduções que chegaram a quase 20% desde o início da pandemia. A proibição de funcionamento de atividades não essenciais obrigou que vários estabelecimentos precisassem fechar as portas. Foi o caso dos estúdios de tatuagem. Micael Oliveira comanda o estúdio Lamparina, na Zona Sul de Natal, capital potiguar. Quando precisou suspender o trabalho, ele solicitou o auxílio emergencial do Governo Federal. A esposa de Micael é produtora cultural e também não está trabalhando no período de quarentena. Ela também pediu o benefício, porém só o tatuador conseguiu.

“Isso representou uma queda muito grande na nossa renda e foi aí que surgiu a ideia dos hambúrgueres”, conta Micael Oliveira. Ele diz que sempre cozinhou para os amigos, quando os recebia em casa. Alguns deles até já tinham sugerido que a prática se tornasse comercial, mas Micael nunca havia investido nisso. Sem tatuar, o “Mica Burguer” foi a alternativa. Começou no período junino, que no Nordeste é conhecido pelas festas e comidas típicas feitas, principalmente, com milho. “Aí eu resolvi testar o hambúrguer de milho. E deu certo. A galera gostou bastante”.

O hambúrguer começou a se popularizar e Micael, que já gostava de cozinhar, passou a diversificar o cardápio. A divulgação é feita pelas redes sociais e os pedidos pelo WhatsApp do tatuador cozinheiro e o serviço funciona às sextas-feiras, sábados e domingos. Sem previsão de retomar com as tatuagens, ele também faz desenhos para agendamentos futuros com os clientes.

CANECAS E PRINTS

Quando a pandemia chegou e fechou o comércio, Cecília Nóbrega também precisou arrumar uma nova forma de ganhar dinheiro. Ela é tatuadora e trabalha no estúdio Seppuku, que também fica na Zona Sul de Natal.

“Quando começou a pandemia aqui no Brasil e surgiu essa questão do distanciamento social, tive que desmarcar todos os meus trabalhos de tattoo para os dias e meses seguintes. Então aproveitei esse momento para focar mais ainda em estudos, trabalhar mais em minhas pinturas e desenhos”, relata.

Como a permanência do vírus e o consequente isolamento foram se estendendo, surgiu a necessidade de obter renda mesmo que à distância. “Então resolvi criar alguns produtos com as pinturas novas para ficar vendendo durante esse período. Eu já produzia antes, só que era algo bem esporádico. Eu fui aos poucos produzindo principalmente canecas e prints para decoração”.

As vendas são feitas através do Instagram da artista, que negocia com os clientes e envia os produtos. Assim como Micael Oliveira, Cecília também tem preparado alguns desenhos para tatuagens depois do retorno às atividades no estúdio.

Nenhum dos dois tem previsão para voltar a tatuar. No Rio Grande do Norte, o Governo do Estado iniciou em julho uma retomada gradual em diferentes setores, que não inclui ainda os estabelecimentos de tatuagem.

“Mas assim, como todos os setores do comércio, nós precisamos readaptar nossos espaços de trabalho e implementar as novas medidas de segurança, para que tudo seja feito com consciência e sem aglomerações”, avalia Cecília Nóbrega.

De todo modo, os novos trabalhos têm gerado frutos. Micael adianta que estuda a possibilidade de continuar cozinhando em paralelo às tattoos, quando a situação voltar à normalidade.

Quanto a Cecília, ela revela que o negócio tem dado certo e que está planejando abrir uma lojinha virtual em breve para seguir vendendo os produtos com ilustrações. E na sua empresa, quais são as estratégias criadas para crescer nesse momento?

 

Rafael Barbosa
rbarbosa.rn@gmail.com

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