Como sair das lives e ir para a prática?


De repente estávamos todos em casa com a programação da TV e suas inúmeras reprises, ou escolhendo uma nova série no catálogo da Netflix. Talvez você tenha buscado alternativas na Amazon Prime ou até mesmo no Disney+. E provavelmente chegou em um ponto em que nada disso foi suficiente. Aí começaram as lives.

Lives são transmissões de áudio e vídeo em tempo real feitas normalmente através das redes sociais, que permitem interações com o público como perguntas, curtidas ou comentários. Elas vieram suprir a lacuna de conteúdo inédito e de contato com os fãs, no caso dos artistas, e logo ganharam também o caráter de plataforma para falar sobre qualquer assunto considerado importante para determinado público. Na forma de palestras curtas, abriram a possibilidade de realizar seminários e eventos completamente online, abertos ao grande público nas redes sociais ou então fechadas a um número restrito de pessoas em outras plataformas como o Zoom e o Meet.

Mesmo que já estivesse disponível há mais de uma década, as lives são um fenômeno que tem o Brasil como principal mercado, especialmente em função da quarentena. Mas o que começou com shows ao vivo, especialmente de sertanejo, pareceu crescer até virar rotina para diversos públicos. Para os mais antiquados (como eu) acompanhar a sucessão de lives exigiu um planejamento similar a quando participamos de congressos. Uma grande olhada na programação, agenda na mão e uma anotação para não perder o horário de cada palestra que iria assistir. E se em um Congresso, muda-se de sala para sala ou de auditório para feira com pausa para um cafezinho, em casa mudava-se da sala para o quarto com pausa na cozinha. E com tanto conteúdo disponível, se tornou ainda mais importante planejar aquilo que se vai assistir para não perder tempo ou outra live interessante.

O que vivemos hoje com as transmissões ao vivo se difere da realidade de quem vivia participando de palestras apenas no formato. E se formos além, se diferencia da leitura de um livro técnico ou de um minicurso pelo formato também. Ao invés de um minicurso de 4 horas, temos uma live de 1h30min já que não há pausa para o coffee break e nem aqueles minutos de dispersão para que o ambiente se aquiete. Logo, já seria esperado que, depois de assistir a uma live, você buscasse encontrar formas de aplicar o que aprendeu na sua vida ou na sua empresa, tal como faria com um evento presencial. Por isso, vale a pena definir alguns critérios para decidir qual perfil companhar e qual live assistir.

 

A fonte e o conteúdo, os primeiros cuidados 

 

Uma das coisas que as lives deixaram bem claras é que não há espaço para amadores. Se de uma hora para outra todo mundo poderia virar um palestrante, não quer dizer que todo mundo continuaria a palestrar com o passar do tempo. Avaliar o currículo e conhecimento de quem vai apresentar ou participar de uma live é o primeiro passo para decidir se vale a pena assistir e aplicar o conteúdo. Você não quer passar 30 minutos do seu dia ouvindo alguém que não te ensine nada de novo, mesmo que tudo seja um aprendizado.

Verifique se o conteúdo é realmente algo que você precisa ouvir agora. Por vezes, você não conseguirá definir se a live será boa ou não apenas pelo nome dos participantes. Mas com certeza você sabe o que quer e o que precisa aprender nesse momento. Logo que as atividades não-essenciais foram suspensas em função da pandemia, por exemplo, muitos especialistas se preocuparam em dividir seu conhecimento sobre como conduzir o trabalho adequadamente no home office, ou sobre seus impactos trabalhistas. Como não havia nada disso nesse formato antes (e se existia provavelmente era direcionado a um público de nicho), precisávamos de todas as informações possíveis sobre o assunto para tentar compreender o momento. Uma live que aborde esse tema de forma superficial ou inicial dificilmente terá sucesso no cenário de agora, pois o conhecimento das pessoas também foi aumentando.

 

Prestar atenção ao conteúdo é a forma mais fácil de não criar mais problemas na sua cabeça nesse momento ou de controlar um pouco a ansiedade. Procure buscar por lives de caráter mais técnico capazes de solucionar seus gargalos e fraquezas ou de mostrar caminhos mais práticos. Por melhores que sejam, as lives excessivamente teóricas podem te confundir ainda mais ou criar novas dificuldades para implantação do conteúdo.

 

A RESPOSTA QUE A SUA EMPRESA PRECISA

 

Não deve haver um empresário nesse país que não tenha sido forçado a repensar seu plano de negócios durante a pandemia. Mesmo que o plano exista apenas na sua cabeça, certamente ele ficou martelando por um tempo em busca de uma alternativa viável para vencer o momento e gerar receita. Ao longo das matérias dessa edição da Êxito, por exemplo, você pode encontrar alguns exemplos de empresas que conseguiram bons resultados a partir de um novo planejamento. Todavia, se você ainda se sente um pouco perdido, pode ser uma boa ideia planificar suas análises. Colocá-las no papel tem o poder de apresentar fisicamente aquilo que estava guardado na sua mente e diante do que é físico você consegue pensar melhor e estabelecer outras conexões, uma vez que sua mente estará um pouco mais livre. Ferramentas simples como a Matriz SOWT e a Matriz BCG podem dar bons resultados, e sua elaboração pode ser feita através de uma live fechada com sua equipe.

Depois de assistir ao conteúdo, tal como você já fazia depois de assistir a uma palestra ou fazer um curso novo, é a hora de tentar colocar o aprendizado em prática. Quem já está habituado à criação e gestão de projetos provavelmente já conhece a estrutura do Canvas, uma forma visual de plano de negócios. Nele, através de post-its ou pequenas anotações, têm-se a descrição estruturada das principais parcerias, atividades e recursos, as formas de relacionamento com os clientes e sua divisão por segmentos, canais de comunicação, estrutura de custos, fontes de receita e proposta de valor. E mesmo que você esteja saturado de falar sobre ele ou de ver esse quadro, é sempre bom lembrar que antes de realizar qualquer alteração de grande porte na sua empresa (especialmente como o momento pede) será a convergência entre essas três ferramentas que poderá guia-lo para elaborar um plano de implementação. É claro que elas não funcionam sozinhas, sem a sua ajuda e sem a luz do seu planejamento estratégico e indicadores de desempenho.

 

A IMPLEMENTAÇÃO NA PRÁTICA

 

Antes da pandemia, porém, não houve muitas lives capazes de nos preparar para enfrentar os futuros cenários. Embora pudéssemos ver o que acontecia ao redor do mundo, não são poucos os casos que acabaram pegos de surpresa com as mudanças forçadas pela situação da saúde. Entre eles estão as escolas. Instituições privadas de ensino do país perderam mais de 10% dos estudantes, segundo dados de uma pesquisa realizada pela Editora do Brasil em junho. Segundo a pesquisa, 19,7% das escolas perderam mais de 30% dos alunos enquanto apenas 9,6% declarou não ter tido cancelamento de matrículas.

A incerteza segue a insegurança de todas as esferas governamentais e das famílias sobre o retorno das aulas presenciais. Some-se a isso o comprometimento do orçamento das famílias e está formada a receita para a dúvida. Mas houve quem conseguiu sacudir a poeira.

Em Videira, o Colégio Salvatoriano Imaculada Conceição não tinha um plano formulado que previsse o fechamento do prédio, mas diante do compromisso de educar para a vida e atentos às possíveis mudanças iniciou imediatamente o envio de atividades para cada turma por meio do aplicativo da instituição. “Procuramos manter o vínculo com o app da Rede Salvatoriana fornecendo atividades para os estudantes. Eles também foram estimulados a assistir aulas online disponíveis no Portal Positivo enquanto nós demos início ao treinamento do corpo docente com o Google For Education e intensificamos as capacitações para que os professores aperfeiçoassem o uso dos Hangouts, Meet e Google Sala de Aula. Além disso, usamos as salas do Hangouts e do Meet para fazer reuniões estratégicas constantes com a Mantenedora e direções dos outros colédios da Rede Salvatoriana”, explica a Diretora Anelisa Derissio Mantoani. 

Durante estas reuniões, considerou-se imprescindível adquirir uma plataforma de ensino capaz de gerir e organizar as demandas dos professores e estudantes. Segundo a Diretora, a Rede realizou uma pesquisa de mercado para conhecer as propostas das principais empresas no segmento antes de fazer sua opção final. Com uma nova capacitação, em poucos dias a plataforma Rede Salvatoriana EAD ficou disponível para as aulas virtuais e estudantes e famílias se viram diante de uma situação nova mais uma vez. A Rede buscou por uma plataforma dinâmica e intuitiva, que contasse com diferenciais como: a possibilidade de criação de ambiente exclusivo e personalizado para os colégios da Rede; transmissão de aulas ao vivo (que permite a interação dos estudantes) e disponibilização de aulas gravadas para acesso posterior; conteúdos que contemplam a grade curricular do MEC, seguindo a proposta pedagógica e de ensino; acesso nos mais diversos dispositivos eletrônicos; relatórios sobre a participação e desempenho dos estudantes. Considerando as particularidades de cada segmento, já que o Colégio tem estudantes do Berçário ao Ensino Médio, as aulas seguem a grade horária já estabelecida.

Mas se a equipe estava mais habituada, o desafio da vez passou a ser orientar as famílias. Durante o processo de implantação, a comunidade educativa recebeu diversos tutoriais de acesso à plataforma e os próprios estudantes receberam e-mails institucionais para guia-los no acesso. Outra novidade foi o lançamento do aplicativo Rede Salvatoriana EAD, disponível para Android e iOS para garantir mobilidade aos estudantes sem abrir mão de recursos como a participação nas aulas, notificações de avisos, download de arquivos para acesso off-line, acesso às aulas gravadas para auxiliar os estudos e revisão de conteúdos, realização e envio de tarefas e interação com os colegas por meio do fórum. “O modelo educacional atual deve se adaptar às transformações sociais e tecnológicas, sem ferir sua essência”, salienta Anelisa. A Rede Salvatoriana sente-se privilegiada em adotar essas iniciativas com muita coragem e ousadia. De outro lado, sente-se agraciada pelos belíssimos resultados alcançados tão rapidamente - fruto da competência e engajamento de toda equipe envolvida. Ter o reconhecimento da comunidade nessa caminhada é o que nos motiva a continuar inovando e antecipando ações para cumprimento de nosso propósito. Diante desse cenário, a instituição acredita que ainda utilizará a plataforma no futuro como uma ferramenta de apoio aos estudantes, em especial ao Ensino Médio.

 

DEU CERTO LÁ, VAI DAR CERTO AQUI?

 

Essa é a principal pergunta que nos fazemos ao ver alguma inovação dar bons resultados em outra empresa. Lembrando sempre que a grama do vizinho parece ser mais verde que a nossa, vale destacar que nada dará certo a longo prazo sem que haja um planejamento. A complexidade, por sua vez, tende a variar em função do tamanho da empresa e do projeto. De modo geral, pode-se organizar a implementação a partir da resposta para algumas perguntas que organizamos no quadro seguinte. Longe de ser uma ferramenta estática, buscamos fornecer um pequeno guia adaptável para organizações de todos os portes e segmentos. E por mais que essa plataforma de comunicação não seja uma live, não se esqueça de deixar seu comentário e compartilhar essa matéria com quem você achar que precisa do conteúdo.


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